Bem vindo a Lugar Nenhum.
Em Lugar Nenhum há muita coisa para se fazer.
E eu serei seu guia.
Me chamo Ninguém.
Ninguém lhe mostrará os principais pontos de Lugar Nenhum.
Em Lugar Nenhum existe uma praça muito bela, parece sonho.
E Ninguém vai lá a anos. É pacata, Lugar Nenhum.
Até que certo dia, Alguém chegou a Lugar Nenhum.
Ninguém se interessou e falou com Alguém.
Ninguém se apaixonou por Alguém.
Ninguém queria saber tudo sobre Alguém.
Era incontrolável sua vontade de estar com Alguém.
Mas Ninguém conseguia se manter perto de Alguém.
Porque Alguém lhe fazia bem.
Ninguém se importava com isso.
E como veio, Alguém foi.
Foi e não deixou Ninguém saber de sua rápida partida.
Foi sem dar satisfação a Ninguém.
Ninguém chorou, e fez de Lugar Nenhum, um lugar triste.
E chorava, e se lamentava por ter amando Alguém tão rapidamente.
Aquela praça nunca mais viu Alguém. E Ninguém se lembrava das tardes ensolaradas com ventos fortes arrastando as árvores de Lugar Nenhum para onde Alguém estivesse esperando esse amor implacável que percorria quilômetros sem se importar com obstáculos à sua frente. Ninguém sofria.
E Alguém pensava.
Lugar Nenhum nunca mais foi o mesmo depois que Alguém esteve lá.
Lugar Nenhum não existe mais. Pois Alguém deixou tristezas lá.
Lugar Nenhum existe dentro de ti.
E Alguém está para chegar.