terça-feira, 30 de dezembro de 2014

'chão salpicado de estrelas'

'... a esperança da vinda era incessante.
No entanto o relógio não cansava
continuava alterando, segundo por segundo
os feitos deixados pra trás
e últimas palavras ditas antes da morte.
Entretanto, não acredito que sejam
um bando de malfeitores.
nem creio que divagam,
os dois mil e um
ou qual seja o ano em que estejam regressando.
mas a força interior é a eterna luta
dos dias da razão.
eu aguardo. sentado.
numa pedra. qualquer.
a esperança é incessante.
mas nada me impede de não esperar mais.'



(algumas frases foram retiradas de um poema encontrado no meio de um livro. outras, apenas complementos.)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

19/20 per noite

essa angústia que
perdura,
perfura.

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tu tem saudade.
eu não digo nada,
tu diz tanta coisa.
eu não digo nada

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penso conforme vivo
                               se não caio em desuso
(sobre)vivo sem riso.

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em cara fechada
não entram sorrisos.
na minha fachada
não faltam motivos.

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durante o sono
o ronco e
as cobertas sem dono.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

ironia.

sou luz. sou terra.
sou céu e água.
sou tudo e sou nada.
sou feito de palha,
com um coração em chamas.

sou de rimas vazias
e palavras duras.
um mar de agonias.
e por dentro,
calmaria.

minh'alma
se dissolve e
nesse compasso,
até chove.
e assim derreto.

me desfaço em verso,
chiados de prazer.
ora, por agora é
meu dever
me construir de novo.
um novo eu? não sei como.

sou cego e enxergo,
sou de calor e de frio.
de mãos calejadas e coração puro.
sou a estrada a percorrer
      o amor a encontrar
      o nascer do sol
a raiar.

a brisa tão leve que me
carregue.
sou feito de visões e feitios.
sou de carne e osso,
           pau e pedra.

tropeçando, correndo
trôpego,
no labirinto que contruí
com fragmentos do que
um dia fui.

quarta-feira, 19 de março de 2014

a fossa e a bossa.

cinza, dia
em vão.
afinal de contas
não é da minha conta
questionar o porque;
não.
nem o café salva
a solidão.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

coisas casuais

a chuva fina
no parapeito da janela
enquanto o sol ralo
nas folhas molhadas.
até o muro lamenta
o último domingo que vai embora.
assim me torno escravo
do tempo que por tanto tempo
me viu ser liberto da amargura.
mas a onda vaga
e a vida engatinha
já que tão velho é o tempo
que não sei mais pr'onde irei.
a minha doença é a mesma que acomete os loucos.
o que tanto dizem ser loucura
é vontade de não ligar
pro tempo que tanto me consome.
enquanto a chuva fina
e o sol ralo compõe
minha última tarde do mês.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

logo penso

de tanto pensar
em tanto pra te dizer
me perdi
de tanto
te querer.