segunda-feira, 26 de maio de 2014

ironia.

sou luz. sou terra.
sou céu e água.
sou tudo e sou nada.
sou feito de palha,
com um coração em chamas.

sou de rimas vazias
e palavras duras.
um mar de agonias.
e por dentro,
calmaria.

minh'alma
se dissolve e
nesse compasso,
até chove.
e assim derreto.

me desfaço em verso,
chiados de prazer.
ora, por agora é
meu dever
me construir de novo.
um novo eu? não sei como.

sou cego e enxergo,
sou de calor e de frio.
de mãos calejadas e coração puro.
sou a estrada a percorrer
      o amor a encontrar
      o nascer do sol
a raiar.

a brisa tão leve que me
carregue.
sou feito de visões e feitios.
sou de carne e osso,
           pau e pedra.

tropeçando, correndo
trôpego,
no labirinto que contruí
com fragmentos do que
um dia fui.