me sinto sozinho
e quase chorei. o céu não me brinda
com a alegria que em ti encontrei.
a lentidão dos dias
atrasado pra vida e desconcertado no final
da esquina, me perdi.
ainda sozinho, sentei e quase chorei.
nem a flor que me deste
alegrou meu olhar.
a sina repentina de nunca mais gritar
ao mundo tantos amores e apenas um pra recordar.
dentre tantos motivos pra sorrir
sozinho, quase chorei e corri.
de medo. pavor. aflição.
da angústia de não mais ter
a verdadeira inspiração.
de uns dias atrás até hoje,
o telefone ocupado sempre repete "tu"
e eu bato na tecla
mas desligo pra não te ouvir.
ao fundo, mais do mesmo
a música ressoa no meu pensamento
bate e rebate nas paredes do quarto morto
e a janela aberta, deixa escapar o teu som.
sentei na calçada, e sozinho, me atirei
à vida sem sentido. ao mundo apocalíptico.
ao redemoinho que me suga cada vez mais fundo
pro buraco-negro que é o fim, e é o fim...
- deixa eu brincar
correr
pular
gritar?
- não.
- então até breve, que eu vou em busca de redenção, levando a vida devagar
pra não faltar o amor
enquanto o trem não vem, a estação me aconchega nos bancos, para que sozinho, eu sente e chore.
só mais um pouquinho.
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