domingo, 13 de dezembro de 2015

{su}surra

toda
a noite ouço
o que deveria
se calar.
se meus olhos
se fecham à
claridade
procuro-me embaçar
em frias carnes,
ao meio-dia
nas entranhas
corroídas
à mofar.

à nau q me navega
ao outro lado
do rio,
deixo minhas condolências
de q ainda vou ficar,
por estes lados da curva
em um breve dia
sem nuvem ou chuva
q me afogará.

domingo, 25 de outubro de 2015

aqui dentro jaz [ lá fora jazz ]

tb entro nessa onda
de acordar tão tarde
ouvir um jazz
tomar um café.

enquanto o dia corre
lento e sem descanso
no passo q morre
calmo e brutalmente manso.

tu pede um beijo
eu exijo teu corpo.
tu acende o cigarro
te beijo mais um pouco.

nessa triste distância
a bateria me conduz
e entre a pesada batida
calmamente tu me seduz.

cada um diz o que quer
mas não me importo em ouvir.
prefiro músicas quaisquer
do que bulhufas por vir.



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

[re]{vira} volta

as entranhas
alimentam-se
da mesma carne.
o ego
sucumbe
ao mesmo fracasso.
os loucos
viajam
nas mesmas paranóias.
nossos corpos
transcendem
no mesmo êxtase.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

-re-torno

ao contrário do que diziam
caminhar de mãos dadas
às tuas atadas,
o toque simples dos dedos
tuas digitais na minha pele arranhada
libertava.
por outro lado, teu sentimento de toque
tua cor, teus olhos
em estado de choque
murmuravam alegria. expeliam saudade
clamavam um retoque
nas palavras proferidas
no singelo rebote
do meu olhar.

ah, teu ar
q me faz vagar, perdidamente
emaranhando meus passos nas linhas curvas das tuas costas.
dedo a dedo, sinto o sentido de estar calado
apenas calado, sinto a liberdade de ti.
ah, o próximo dia
o próximo ano
nem importância tem.

ainda fujo. pra dentro.
retorno à tua ladaia.
hipnotiza-me com tua lucidez
eu,
sem sensatez. eu?
até quando?

até o dia.
raiar em chamas.
até a noite.
findar(-se).
corro como se fosse pra trás
sem olhar adiante
só pra ter teu olhar
como meu guia
radiante.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

herança

na saudade
saúdo
a eternidade.

na catarse
me entrego
à insanidade.

à morte
deixo apenas
lembrança.

e ao resto,
o q sobrou
da minha confiança.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015

em partes.

do teu corpo: o calor
alívio
pra dor.

em segredo.

subentendido.
pra ninguém botar defeito.

da tua alma: o grito
pra solidão
que me deixa aflito.

aturdido.

sem resposta.
apenas um pouco comedido.

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[cont.]

enquanto tu soa
sentimento
eu reverbero
todo teu
lamento.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

breve estória

me sinto sozinho
e quase chorei. o céu não me brinda
com a alegria que em ti encontrei.
a lentidão dos dias
atrasado pra vida e desconcertado no final
da esquina, me perdi.
ainda sozinho, sentei e quase chorei.
nem a flor que me deste
alegrou meu olhar.
a sina repentina de nunca mais gritar
ao mundo tantos amores e apenas um pra recordar.
dentre tantos motivos pra sorrir
sozinho, quase chorei e corri.
de medo. pavor. aflição.
da angústia de não mais ter
a verdadeira inspiração.
de uns dias atrás até hoje,
o telefone ocupado sempre repete "tu"
e eu bato na tecla
mas desligo pra não te ouvir.
ao fundo, mais do mesmo
a música ressoa no meu pensamento
bate e rebate nas paredes do quarto morto
e a janela aberta, deixa escapar o teu som.
sentei na calçada, e sozinho, me atirei
à vida sem sentido. ao mundo apocalíptico.
ao redemoinho que me suga cada vez mais fundo
pro buraco-negro que é o fim, e é o fim...
- deixa eu brincar
  correr
  pular
  gritar?
- não.
- então até breve, que eu vou em busca de redenção, levando a vida devagar
  pra não faltar o amor
enquanto o trem não vem, a estação me aconchega nos bancos, para que sozinho, eu sente e chore.

só mais um pouquinho.